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quarta-feira, 30 de julho de 2008

"Minha vingança será malígna!"...

...já dizia Bento Carneiro – o Vampiro Brasileiro, infâme personagem de Chico Anísio nas noites de quarta, depois da novela.

E Quem ja não se vingou de alguem? ou pelo menos ja teve vontade de se vingar ou ainda, mais patéticamente, ja não teve vontade de ter motivo pra se vingar?

Ao contrario do Bento Carneiro que, pra se vingar, só fazia cuspir no chão e maldizer os outros, tem outros personagens que realmente têm a manha da vingança. Por isso, cá estou eu novamente para dar uma dica de cinema, mais especificamente para indicar uma grande trinca de filmes cujo tema, ja deu pra perceber, não poderia ser outro: VINGANÇA!!

Esses filmes, aos quais me refiro, são conhecidos como a Trilogia da Vingança do diretor sul-coreano Park Chan-Wook. Sem saber disso, assistí a dois desses filmes de forma isolada e percebi ambos eram muito decentes e parecidíssimos em narrativa, ritmo e fotografia, mas só depois fui instruido de que se tratava do mesmo diretor (tá, eu sou desatento) e que havia mais um do mesmo estilo, então tratei logo de assistir.

Bom, como de costume não vou fazer resenhas, o intuito aquí é apenas indicar. Me atenho a dizer que nos 3 filmes temos uma boa história, violência, personagens inusitadas e até algumas risadas se vc tiver um pouco de sendo de humor, isso tudo mostrado numa narrativa fora do comum. Tudo que Raphael Schmitz precisa pra anestesiar temporariamente o tédio e os pensamentos caóticos.


A trilogia da vingaça, em ordem de lançamento.

O primeiro deles é Sympathy for Mr. Vengeance de 2002. A trama envolve otários bem intencionados, trafico de orgãos, sequestro e fatalidades. No elenco está o ator Park Gang du que posteriormente participaria de The Host (outra pérola!!). MrV é um bom filme, porém o mais fraco dos três.

O segundo muita gente ja conhece, se chama Oldboy (2003). Prisões domiciliares, dupla vingança, safadezas, pancadaria, destruição e maus tratos para com inocentes moluscos!

O ultimo deles, e o melhor dos três na minha opinião, é Lady Vengeance. Descrevo esse filme como um Amelie Polin Heavy Metal com estratagemas elaboradíssimos, uma verdadeira aula de vingança!

Recomenda-se assistir na ordem de lançamento (qualidade crescente) com uma saca de seu salgadinho predileto e bebidas à gosto.

É, minha gente, vingança pode parecer bom, mas como ja dizia meu velho amigo sem-teto Chaves: "a vingança nunca é plena. Mata a alma e a envenena". Mas não seria o veneno antes, Chaves?


O vingativo Bento carneiro e o comparsa Calunga desprezando os conselhos de Chaves.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Orfanatos

Até pouco tempo, nunca tinha entrado em nenhum orfanato. Nunca precisei e nunca tive vontade. Na ficção, o senso comum nos remete à crianças rosadas e esperançosas, maltradas por alguma funcionaria malvada. Na realidade, imagino que sejam lugares monótonos, com crianças dentro, visitados esporadicamente por pessoas que costumam fazer caridade e que sejam administrados por algum orgão do governo que controle adoção de alguma maneira não tão eficiente como deveria ser. Nenhuma dessas abordagens me interessa.
Acontece que recentemente conheci dois orfanatos, ambos na ficção mas em mídias diferentes e gostaria de falar um pouco deles.

O Orfanato Rose Garden foi o primeiro deles. É o palco da história de Rule of Rose (2006), game para playstation 2 que foi avaliado como medíocre por uma revista especializada. Simpatizei com o jogo, já que o gráfico não parecia ser dos piores e o gênero me agradava: Horror de Sobrevivência, oh yeah! \o/

Inglaterra dos anos 30. Jenifer está dentro de um ônibus, seguindo por uma estrada escura no meio do nada quando um garotinho misterioso lhe entrega um livro de histórias e foge. Seguindo o garoto, Jenifer vai parar no meio da floresta e logo se vê envolvida com uma sociedade formada pelas crianças que vivem no Orfanato Rose Garden, a Red Crayon Aristocrats, com suas regras insanas e prendas cruéis. A medida que avançamos na história, Jenifer descobre que várias coisas naquele orfanato lhe são familiares e que sua presença ali não é por acaso.

Com Horror psicológico dos bons, a trama de RoR deixa abertura pra várias interpretações e o que eu interpretei no final foi medonho pra caramba.

Mas, apesar de que juntar as peças do quebra cabeça no final seja um deleite, o ato de jogar Rule of Rose não é das coisas mais prazeirosas que ja fiz. A CG de introdução é impecável e o projeto gráfico pra lá de competente. O game começa bem (nos primeiros 3 minutos) mas aí começamos a perceber falhas em aspectos técnicos como combate, jogabilidade e design de alguns níveis e modelos. Enfim, como jogo, Rule of Rose é mesmo medíocre.

Como aconteceu com o filme Sweeney Todd, novamente um formato desagrádavel esconde um conteúdo valioso: história agoniantemente intrigante e atmosfera brilhantemente composta, o que me fez perder algumas horas pra ir até o fim do jogo.

Como provavelmente ninguem que leia isso vai se aventurar com o game, seguem alguns videos pra dar uma noção da proposta de RoR abaixo:




Essa história merecia, na falta de um game melhor, um livro ou então um filme (escritores e cineastas, escutai esse pobre nerd!). É aí que entra o meu outro orfanato preferido...

Depois de ter dirigido o fantástico Labirinto do Fauno (que se vc ainda não viu, fica aqui determinado, imposto e exigido que você assista, e logo), diz a lenda que Guilermo del toro deu uma bela espiada em Rule of Rose para se inspirar para a produção de El Orfanato.

Ainda antes do lançamento, tive esperança que o filme fosse uma adaptação ou pelo menos que usasse muito da história de Rule of Rose, o que na realidade não aconteceu mas trouxe como resultado uma história "default" de fantasmas muito bem contada.

El orfanato se passa nos dias atuais, e conta a história de uma mulher que compra a casa onde funcionava o orfanato onde foi criada para reabrir a instituição. Mas assim que a familia se muda para o lugar, o filho começa a arranjar amigos imaginários demais...

El Orfanato é decente. Tem boa história, sustos, tensão, uma reviravoltazinha e a clássica cena de banheiro em que você logo pensa: "vai dar merda". Raphael Schmitz recomenda.

Seria isso, jogue o jogo, veja o filme, inspire-se, produza algo de bom, contribua com o mundo e seja feliz. Valeu!


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ATUALIZANDO
01.06.08
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Está aí o real motivo desse blog: trocar ideías. Fui alertado pelo comentário do colega Julium a respeito de mais uma história de orfanato que vale a pena: A Espinha do Diabo (El Espinazo del Diablo, 2001). Dirigido também por Del Toro é uma história clássica da fantasma vingativo, ambientada durante a guerra civil da Espanha nos anos 30 (assim como O Labirinto do Fauno). Bizarrices, violência, sexo sexagenário (iac!) e suspense bem feito, vale o download ou locação, a pizza, a pipoca, a cerveja e tudo mais! Matou à pau.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Event Horizon e Sunshine

Dose dupla de diversão intrigantemente quase igual!

Já perceberam que as produtoras de cinema vez ou outra entram numa de "modinha", lançando filmes gêmeos com o mesmo tema na mesma época? Acontece frequentemente, geralmente com uma boa produção seguida de uma outra não tão boa ou vice-versa. Eu já vi, ele já viu, vc já viu e se não lembra eu te ajudo, saca só:

• sob a premissa "vulcões ativos em áreas urbanas" tem o Volcano e o Inferno de Dante
• no lema "vamos mandar uma nave pra explodir o meteoro que vai dizimar a vida na terra" vimos, em 1998, Impacto Profundo e Armageddon;
• indo pra marte (e tomara que fiquem por lá) temos Planeta Vermelho e Missão Marte ambos de 2000.
• e com o tema "animação de peixinho" temos Procurando Nemo de 2003 (ótimo) versus o terrível e hipercromático Espanta tubarões de 2004. (As animações são as mais escancaradas: temos também filmes aos pares na onda "pinguim" e "bichinhos fora do seu lugar")

E por aí vai. São filmezinhos pipoca univitelinos que, às vezes valem o ingresso e tudo, às vezes não.

Mas gostaria mesmo de falar a respeito e indicar um outro par de gêmeos um pouco diferente, desta vez com 10 anos de diferença entre os irmãos e que ao contrario dos exemplos que citei acima, pouca gente ouviu falar deles.

A primeira vez que ouvi falar de Event Horizon (Enigma do Horizonte no Brasil ¬_¬") foi por indicação do meu irmão, Apoená, ja faz alguns anos. O filme é de 1997 e consegui locar em VHS (aquelas fitas grandes pra videocassete, lembra?) talvez um ou dois anos depois. O filme trata de uma nave, a Event Horizon, que é capaz de criar dobras no espaço-tempo para viajar grandes distâncias no universo instantâneamente, ou seja, é uma nave movida a buracos-negros (daí o nome da nave e do filme). Acontece que essa nave desaparece logo na sua primeira missão de teste sem deixar nenhum rastro. Depois de alguns anos é descoberto que a nave reaparecera lá pros lados de plutão mas sem sinais de comunicação com a tripulação. Por onde a Event Horizon andou, o que aconteceu com ela e onde está a tripulação é o que os tripulantes da missão de resgate têm que descobrir e vocês também, pq não digo mais uma palavra com excessão que o filme é um thriller de suspense e horror dos bons.

Dez anos depois, por indicação do top 10 do site http://www.eatmybrains.com/ me deparo com o filme Sunshine (Alerta Solar no Brasil) de 2007.

Fiquei intrigado com a sinópse que ja remetia a Event Horizon me deixando com um pé atrás e, posteriormente ainda mais desanimado quando um amigo me falou muito mal do filme. Resolvi assistir confiando nas referências do site e tive uma ótima e estranha surpresa: apesar de os dois filmes serem idênticos, Sunshine é tão bom quanto ou melhor que Horizon! Apenas troque a missão de resgate por uma Missão para salvar o Sol após a falha da primeira tentativa. Os filmes têm cenas parecidas, problemas parecidos e vilões beeeem parecidos mas, apesar disso tudo, a experiencia não é prejudicada, não importa qual dos filmes vc ver primeiro.

Event horizon conta com Lawrence Fishbourne no elenco e é um pouco mais voltado pro horror visual do desconhecido, enquando que Sunshine, dirigido por Dany Boyle, aborda mais o horror psicológico interior.

Se você gosta de ficção cientifica bem feita, suspense, tensão e, é claro, um pouco de horror, vá até a locadora ou programa P2P mais proximo e dê uma chance pra essas duas histórias (ou seria uma só?).

Já viu algum dos filmes? Conhece algum outro caso de semelhança cinematografica? Quer recomendar alguma coisa? Comentaê!


sábado, 16 de fevereiro de 2008

Sweeney Todd - O musical Demoníaco

Odeio Musicais. Odeio mesmo, de coração. Musicais são um tipo de forçação de barra idealizada por atores e diretores que nunca deveria ter saido do teatro. Algo que, à princípio, deve ter sido tolerado por osmose pelo público - talvez por falta de algum tipo repulsa mais enfática - e hoje tem seu lugarzinho na indústria cinematográfica mas que (cá entre nós) ninguém gosta de fato. Musicais são o tipo de coisa que só agrada "gente próxima" ou "do meio": pessoal de artes cênicas, aspirantes a atores, diretores e por ai vai. É igual prédio velho: para as pessoas sensatas é um troço feio inútil, quando não um incômodo pra sociedade, mas pro historiador, que é o cara "do meio", pra ele é patrimônio histórico.

Enfim não gosto mesmo.

Por outro lado, adoro as coisas do Tim Burton, os temas macabros, a estética dark e as histórias de violência, assim como sempre gostei do trabalho do Johnny Depp.

Ignorando o fato de tratar-se de um musical, comecei a assistir Sweeny Todd muito contente esperando por altas doses de divertimento e deleite, até que a primeira fala do filme começa a ser cantarolada...

"Não, não é possivel. Musical?! Eu teria escutado algo a respeito, burro ignorante! Não pode, não pode..." Pode. Que desânimo, que sensação ruim, que troço desagradavel. Tive esperança de que fosse apenas um prelúdio pra introduzir a historia mais rápido, seilá, afinal quando você canta uma musiquinha não tem que trabalhar diálogos críveis que revelem o contexto gradativamente, você so canta tudo pra alguém e quem tá ouvindo entende. Talvez precisassem adiantar essa introdução pra sobrar mais tempo para as gargantas cortadas. Nada disso. Era musical mesmo e pronto. Me conformei e fui em frente.

Não sei foi o fato de eu ter uma queda por atmosféras macabras ou talvez por eu ser também uma pessoa "do meio" quando se fala de homicidas com navalhas, de ambientes soturnos e de dar carne humana de comer aos desavisados mas, passada a primeira meia hora, o filme consegue realmente se sobrepor às cantorias.

Sweenie Todd é tudo que se espera de um filme de Tim Burton: produção impecável, humor negro, consistência, uma boa história, cores dessaturadas e, neste caso, bastante sangue vermelho-tinta-gouache.

Continuo não gostando de musicais mas Sweenie Todd, apesar das cantorias, é um otimo filme. Lamento que não se tenha feito uma adaptação "em prosa" do texto que só teve a perder com isso porém não a ponto de se tornar imprestável.

Mas afinal, alguém gosta de musicais??