sexta-feira, 16 de maio de 2008

Orfanatos

Até pouco tempo, nunca tinha entrado em nenhum orfanato. Nunca precisei e nunca tive vontade. Na ficção, o senso comum nos remete à crianças rosadas e esperançosas, maltradas por alguma funcionaria malvada. Na realidade, imagino que sejam lugares monótonos, com crianças dentro, visitados esporadicamente por pessoas que costumam fazer caridade e que sejam administrados por algum orgão do governo que controle adoção de alguma maneira não tão eficiente como deveria ser. Nenhuma dessas abordagens me interessa.
Acontece que recentemente conheci dois orfanatos, ambos na ficção mas em mídias diferentes e gostaria de falar um pouco deles.

O Orfanato Rose Garden foi o primeiro deles. É o palco da história de Rule of Rose (2006), game para playstation 2 que foi avaliado como medíocre por uma revista especializada. Simpatizei com o jogo, já que o gráfico não parecia ser dos piores e o gênero me agradava: Horror de Sobrevivência, oh yeah! \o/

Inglaterra dos anos 30. Jenifer está dentro de um ônibus, seguindo por uma estrada escura no meio do nada quando um garotinho misterioso lhe entrega um livro de histórias e foge. Seguindo o garoto, Jenifer vai parar no meio da floresta e logo se vê envolvida com uma sociedade formada pelas crianças que vivem no Orfanato Rose Garden, a Red Crayon Aristocrats, com suas regras insanas e prendas cruéis. A medida que avançamos na história, Jenifer descobre que várias coisas naquele orfanato lhe são familiares e que sua presença ali não é por acaso.

Com Horror psicológico dos bons, a trama de RoR deixa abertura pra várias interpretações e o que eu interpretei no final foi medonho pra caramba.

Mas, apesar de que juntar as peças do quebra cabeça no final seja um deleite, o ato de jogar Rule of Rose não é das coisas mais prazeirosas que ja fiz. A CG de introdução é impecável e o projeto gráfico pra lá de competente. O game começa bem (nos primeiros 3 minutos) mas aí começamos a perceber falhas em aspectos técnicos como combate, jogabilidade e design de alguns níveis e modelos. Enfim, como jogo, Rule of Rose é mesmo medíocre.

Como aconteceu com o filme Sweeney Todd, novamente um formato desagrádavel esconde um conteúdo valioso: história agoniantemente intrigante e atmosfera brilhantemente composta, o que me fez perder algumas horas pra ir até o fim do jogo.

Como provavelmente ninguem que leia isso vai se aventurar com o game, seguem alguns videos pra dar uma noção da proposta de RoR abaixo:




Essa história merecia, na falta de um game melhor, um livro ou então um filme (escritores e cineastas, escutai esse pobre nerd!). É aí que entra o meu outro orfanato preferido...

Depois de ter dirigido o fantástico Labirinto do Fauno (que se vc ainda não viu, fica aqui determinado, imposto e exigido que você assista, e logo), diz a lenda que Guilermo del toro deu uma bela espiada em Rule of Rose para se inspirar para a produção de El Orfanato.

Ainda antes do lançamento, tive esperança que o filme fosse uma adaptação ou pelo menos que usasse muito da história de Rule of Rose, o que na realidade não aconteceu mas trouxe como resultado uma história "default" de fantasmas muito bem contada.

El orfanato se passa nos dias atuais, e conta a história de uma mulher que compra a casa onde funcionava o orfanato onde foi criada para reabrir a instituição. Mas assim que a familia se muda para o lugar, o filho começa a arranjar amigos imaginários demais...

El Orfanato é decente. Tem boa história, sustos, tensão, uma reviravoltazinha e a clássica cena de banheiro em que você logo pensa: "vai dar merda". Raphael Schmitz recomenda.

Seria isso, jogue o jogo, veja o filme, inspire-se, produza algo de bom, contribua com o mundo e seja feliz. Valeu!


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ATUALIZANDO
01.06.08
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Está aí o real motivo desse blog: trocar ideías. Fui alertado pelo comentário do colega Julium a respeito de mais uma história de orfanato que vale a pena: A Espinha do Diabo (El Espinazo del Diablo, 2001). Dirigido também por Del Toro é uma história clássica da fantasma vingativo, ambientada durante a guerra civil da Espanha nos anos 30 (assim como O Labirinto do Fauno). Bizarrices, violência, sexo sexagenário (iac!) e suspense bem feito, vale o download ou locação, a pizza, a pipoca, a cerveja e tudo mais! Matou à pau.

6 comentários:

Zeguardinha disse...

Oqqqqqqq churras? chop?? rapha pagando?? Explica melhor isso ae pfissor!
hehehe

Julium Schramm disse...

É, El Orfanato é um Guillermo del Toro mais aguado, mas sim uma história muito bem amarrada. Adorei! Outro filme de orfanato, e sim do del Toro, que realmente é um filme foda que eu acho que tu vai curtir muito é A Espinha do Diabo. \m/

Aline disse...

Tenho medo de filmes com crianças macabras, mas gostei do seu review do filme, e como gostei de Labirinto do Fauno vou dar uma conferida no Orfanato e depois te conto o que achei.

Camila Torrano disse...

Não gastei algumas horas jogando Rule of Rose, mas madrugadas inteiras =P. Isto sem contar no quanto tempo a história ficou matutando em minha mente pela crueldade de certos fatos, que eu já desconfiava que crianças eram capazes - mas ver num jogo é ooooutra coisa. Sim, o jogo é medíocre com um gameplay de chorar de dor, mas o roteiro é fantástico, principalmente pelos cortes e links que fizeram (não-linearidade em alguns momentos por exemplo).
Eu diria que foi um jogo que estava sendo desenvolvido tranqüilamente quando algum gênio gritou "É pra amanhã negadaaaa!" e aí ferrou tudo - pobre programadores.

Já o do Del Toro está na minha lista de "filmes para ver quando eu tiver algum tempo livre", mas fico feliz por vc já ter cortado minhas expectativas, pois elas estavam grande demais acho.

Como sempre, eu exfcelente conteúdo meu caro Prof. Rapha ;D
Bjão da Butcher!

Leon Avelar disse...

kara curti muito seu post sobre Rule of rose. fiquei com muita curiosidade
de jogar o game, mesmo sendo avaliado como medíocre. mas pelo q parece, o ponto forte do jogo é a historia, quase li um spoiler acima.
essa foi por pouco!
voltando
queria comunicar, sobre outro jogo muito bom, no quesito historia.
seguindo quase o mesmo genero de ROR,
um terror suspense.
ñ sei se já foi informado sobre ele
o nome é Silent Hill Shattered Memories. Uma serie um tanto conhecida, mas q inovou nesse jogo,
o bastante para ser um dos melhores já feito.
o modo batalha ou ação, é bem interessante, ñ tem batalha!
o personagem usa uma lanterna e mais nada.
E o ponto forte do game é a historia, quando vc acha q já entendeu td, simplismente ñ entendeu nada.
fica aqui a minha sujestão,
Esse game saiu para PS2 e Wii.
Pra qm tem o console da nintendo
aconselho jogalo no Wii, a interação sobre o jagador e o game é bm maior, e tem uma opção de multi linguas, para aqueles q ñ manjam muito no inglês (eu).
espero q o ajude e faça um post sobre esse game.
Obrigado

1 2 3 Filmando disse...

Muito bom esse filme. Além de esperarmos muitos clichês, o que vem acabando com as histórias de fantasmas, O orfanato não se alimenta de cenas já contadas, mas cria as suas próprias e consegue surpreender. E o final, um dos melhores de filmes de terror que eu já vi.

Depois de comentar sobre o filme. Nunca que eu imaginava que o professor tinha um blog HAHA.

Egon.